quinta-feira, 5 de julho de 2012

Conselho de igrejas evangélicas da França decide banir teologia da prosperidade de suas doutrinas

Conselho de igrejas evangélicas da França decide banir teologia da prosperidade de suas doutrinas
As polêmicas envolvendo a teologia da prosperidade ganharam um novo capítulo no meio cristão, com a decisão do Conselho Nacional dos Evangélicos da França (CNEF), de considerar a prática que coloca o plano da salvação e o enriquecimento material num mesmo nível, como algo que as igrejas evangélicas daquele país devam ignorar.

O órgão funciona como uma espécie de agência reguladora de doutrinas para as igrejas evangélicas da França, e junto de sua decisão a respeito da teologia da prosperidade, tomou a iniciativa também de ensinar a respeito dos erros dessa doutrina.

Em Maio, o CNEF divulgou um estudo que havia sido elaborado por teólogos e aprovado unanimemente por todos os representantes de denominações que fazem parte do órgão. Entre as denominações, haviam desde pentecostais até tradicionais, como batistas e ortodoxos. O documento classifica a prática como “errônea”, com “distorções” da mensagem cristã.

O documento divulgado pelo CNEF é uma postura mais enfática de um parágrafo da declaração de Lausanne III, que em 2010, foi promulgada por 4.200 lideranças evangélicas de todo o mundo, criticando a teologia da prosperidade.

Segundo o pastor batista Thierry Huser a teologia da prosperidade erra ao colocar “no mesmo plano a salvação e a prosperidade física (saúde) e material (riqueza), enquanto a salvação cristã, que é o ‘coração’ do evangelho refere-se principalmente à relação com Deus e à reconciliação com ele por meio de Cristo”.

O documento ainda ressalta, segundo informações do jornal “La Croix”, que a teologia da prosperidade “’instrumentaliza’ Deus, colocando-o a serviço da prosperidade do fiel”, e emenda, afirmando que “segundo seus defensores, o fiel deve acreditar que tudo, incluindo a riqueza, lhe foi conquistado por Cristo. Portanto, lhe bastaria manifestar a sua fé na promessa do Evangelho doando dinheiro para obter a recompensa”.

O pastor batista pontua que a doutrina que enfatiza a prosperidade ignora “toda a pedagogia de Deus na nossa vida, que às vezes quer nos dar ensinamentos a partir de situações difíceis”, embora, segundo ele, as igrejas que não pregam o enriquecimento como obrigação divina, acreditem na intervenção de Deus: “Nas nossas Igrejas, acreditamos em um Deus que intervém na nossa vida e pode dar sinais milagrosos da sua ação, mas não é preciso sistematizá-los”.

Segundo o texto do estudo divulgado pelo CNEF, quando os adeptos da teologia da prosperidade arrecadam ofertas sob argumento de que essas trarão bênçãos, jogam a responsabilidade de suas promessas em Deus: “Os profetas da prosperidade protegem-se, assim, de todo questionamento das suas promessas. Ao contrário, todo o peso do eventual insucesso recai sobre o fiel, que esperou, orou, doou”, frisa o documento.


Fonte: Gospel+

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