terça-feira, 3 de abril de 2012

O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA


INTRODUÇÃO: Não existe este vocábulo na língua portuguesa; entrou na língua por efeito da linguagem litúrgica da Igreja Católica. É de origem grega, que por, sua vez, foi tirado do verbo hebraico PASOH que quer dizer “Passar além, passar por cima”.
No hebraico, a palavra descreve a passagem do anjo da morte, quando seriam mortos todos os primogênitos do Egito e poupados os dos israelitas.

I. A PÁSCOA PARA ISRAEL

A.      INSTITUIÇÃO – Foi instituída no Egito para comemorar o acontecimento culminante da redenção de Israel. Ex. 12: 14.

B.      ELEMENTOS DA PÁSCOA

1)      CORDEIRO – Representavam o preço da redenção e libertação de Israel do Egito; o sacrifício.

2)      OS PÃES AMOS – Revelavam a pressa com que abandonariam a terra do Egito. A farinha amassada sem ter recebido o fermento, por falta de tempo.

3)      ERVAS AMARGAS – Ou alface agreste, recordavam a opressão do Egito, a amargura do cativeiro, além de dar melhor sabor á carne do cordeiro.

4)      SANGUE – Representa a expiação. 

C.      RITUAL DA CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

ð  Deveriam tomar para si o Cordeiro. Ex.12.3

ð  A família deveria participar e comer todo o cordeiro. Caso a família fosse pequena, deveria juntar-se a outra vizinha. Ex.12.4

ð  O Cordeiro seria sem mácula de um ano de idade e primogênito.

ð  Deveria ser assado inteiro e comido com pães asmos e ervas amargas. Ex. 12.8.

D.      SÍMBOLO NEOTESTAMENTÁRIO

1)      O CordeiroSimboliza Cristo, a libertação do pecado – Jo.1.36. João afirmou: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

ð  Era sem defeito – Ex.125; I Pe. 1.18-19.

ð  Foi sacrificado, no entanto seus ossos não foram quebrados. Ex. 12.46; Sl. 34.20; Jo. 19.36.

ð  O sangue foi derramado para a expiação dos pecados: era o penhor da salvação. Ex. 12.13; I Jo. 1.7

ð  Foi comido na páscoa. Mat. 26.26.

2)      Os pães asmos – Simbolizam pureza. O pão deveria ser sem fermento.

ð  A proibição baseava-se em que o fermento é um agente de decomposição e servia de símbolo da corrupção moral, e também de doutrinas falsas. Mt.16.11; Mc.8.15.

ð  Na nossa comunhão com Cristo não pode haver impureza.

ð  A ausência do fermento simboliza a santidade de vida que no serviço de Deus.

3)      Ervas amargas – simbolizavam a amargura que o cordeiro iria passar e a amargura das almas humanas por causa do pecado. Hoje, todas as vezes que celebramos a Ceia do Senhor, relembramos o grande feito da nossa redenção feita não por Cordeiro, não mais por um cativeiro físico, mas pelo próprio filho de Deus.
“Podemos dizer que o Egito foi o Calvário da nação hebraica, como o Calvário de Jerusalém foi o nosso Calvário”.
4)      Sangue – A garantia do perdão – “sem derramamento de sangue não há remissão de pecados”, Heb. 9.22. O Sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo o pecado. I Jo. 1.7. O pecado do homem foi coberto pelo sangue propiciatório do cordeiro de Deus.

II. A PÁSCOA NOS NOSSOS DIAS E OS SEUS SÍMBOLOS
A.    INSTITUÇÃO – A festividade da páscoa foi fixada pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C..É uma festa anual da Igreja Católico Romana, comemora a ressurreição de Cristo.

B.     OS SÍMBOLOS

1)      O coelho – Substituíram o cordeiro período pelo coelho, como símbolo de fecundidade (chegando até produzir aproximadamente cento e dez filhotes por ano). Apareceu por volta de 1915, na França. A sua cor e sua rapidez contribuíram para o seu lugar na simbologia. Dizem mais que ele representa a morte e a ressurreição de Cristo pelo fato de alguns que habitam em lugares frios e nevados hibernam e só saem da caverna quando chegam à primavera. Sabemos que não podemos aceitar tamanha aberração, pois em toda a Bíblia encontramos o Cordeiro e não o coelho como símbolo de Cristo.

2)      O ovo – O ovo significando começo, origem de tudo. Quando incubado, dele sai vida, porque nele está contido a vida. Em Cristo não está contido a vida, Ele é a própria vida. João 11.25.
Está presente na mitologia antiga, nas religiões do oriente, nas tradições populares e numa grande parte da Cristandade. Na idade média os europeus adotaram o costume chinês de enfeitar o ovo. Em 1928 surgiram os ovos de chocolate que industrializaram em larga escala.
No século XVIII a Igreja Católica Romana adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo.
3)      O peixe – É símbolo de Cristianismo. Dizem que no passado quando os cristãos se reuniam, faziam desenho de um peixe. Na semana santa, não comem carne, por causa do corpo de Cristo e substituíram a carne por peixe, mas na páscoa judaica comiam cordeiro.
Estes símbolos modernos são uma mistura de mitologia pagã com a simbologia cristã paganizada.

III. A PÁSCOA PARA OS EVANGÉLICOS
Para os evangélicos, a Páscoa tem apenas valor histórico e figurativo. O que tem sentido e valor para nós é a Ceia do Senhor, pois Jesus quando comeu a última páscoa com seus apóstolos antes do sofrimento, deu um caráter todo especial ao acontecimento. Lc. 22.15. Ele estava instituindo a Ceia que, para nós, os cristãos, substituía a páscoa – Lc. 22.15-20.
A Páscoa Bíblica, portanto, consumou-se em Cristo, que a instituiu como um novo memorial – a sua Ceia, na qual o crente comemora a morte do Senhor até que Ele venha. Não há no Novo Testamento mais lugar para a páscoa ou outras festividades mosaicas, as quais foram abolidas na cruz, juntamente com outras ordenanças, como sombras das coisas futuras, espirituais, pertencentes à dispensação da graça.

CONCLUSÃO
O apóstolo Paulo nos adverte em sua I carta a Timóteo, 4. 1-3. Não envolvemos com tais tradições mas, nós que provamos do novo nascimento, que tornou-se real com o sacrifício do filho de Deus, o verdadeiro Cordeiro pascoal, recordemos-nos do Calvário constantemente independente de uma data fixada no calendário anual. Temos em nós esse Cristo ressurreto. Aleluia!

BIBLIOGRAFIA
  1. ALMEIDA, Abraão de. Babilônia ontem e hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 1982.
  2. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada. Edição Revista e Corrigida.São Paulo: Editora Vida, 1985.
  3. BOYER, O. S. Pequena enciclopédia bíblica. 8 ed. Miami, Flórida: Editora Vida, 1981.
  4. DAVIS, John. Dicionário da bíblia. 22 ed. São Paulo:Agnos,1982.
  5. HOFF, Paul. O Pentateuco. Miami, Flórida:Vida, 1985.
  6. MESQUITA, Antonio Neves de.Estudo no livro de êxodo.4 ed. Rio de janeiro: JUERP, 1979.
  7. NAIR, S. E. Mc. Pequeno dicionário bíblico. 4 ed. Teresópolis.RJ: Casa Editora Evangélica, 1947.
Por Josias Menezes

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