segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SE JESUS FOI RICO, EU TAMBÉM QUERO SER!

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Por Ruy Marinho

Escutar de algum pregador que Jesus era rico e quem segui-lo será próspero financeiramente, soa como uma garantia de ganhar na loteria! Infelizmente, muita gente tem este conceito como premissa para frequentar uma igreja. Afinal: se Jesus foi rico, eu também quero ser – dizem os seguidores da teologia da prosperidade e confissão positiva! Vejam as declarações feitas por alguns famosos precursores deste movimento, desde os EUA até aqui no Brasil:

“João 19 nos diz que Jesus usava roupas de griffe... A túnica era sem costura, tecida de cima até embaixo. Era o tipo de vestimenta que os reis e os mercadores ricos usavam” (John Avanzini, gravado em 20.1.1991, no programa de Kenneth Copeland).

“Jesus tinha uma roupa tão bonita, tão cara, que os soldados disputaram para ver quem ficaria com ela. Outra coisa, Jesus era acompanhado por mulheres ricas que o serviam. Ele tinha seus doze discípulos e mais um grupo de 20 a 30 pessoas para alimentar diariamente. Quanto custa isso? A casa de Lázaro e outras residências onde ele se hospedava eram de classe média na época, ou até mesmo média-alta. Portanto, eu não consigo enxergar na Bíblia Jesus como uma pessoa paupérrima. Ele viveu como um rabi, que era um mestre. Eu não vejo Jesus pobre, mas vejo que ele demonstrava no seu estilo de vida excelência, tinha uma vida abençoada – multiplicou pães, proveu boa pescaria aos seus discípulos. Como Senhor e Deus, ele tinha acesso às riquezas.” (Bispo Robson Rodovalho, Revista Eclésia, edição 109)

“Sabe, Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac. Não havia Cadilac naquela época. Mas Jesus andou num jumento. Era o "Cadilac" da época — o melhor meio de transporte existente.” (Kenneth Hagin, A Autoridade do Crente, p. 48.)

Declarações como estas são muito comuns nos dias de hoje, por conta da propagação da teologia da prosperidade no Brasil. Trata-se de um conceito que foi importado dos EUA, fixado atualmente como um forte pilar das igrejas neopentecostais brasileiras. Porém, como cristãos não deveríamos absorver ensinamentos sem antes analisar biblicamente para ver se, de fato, procedem ou não das Escrituras, o que no caso apresentado leva-nos ao seguinte questionamento: Será que realmente Jesus foi rico? Será que ser rico financeiramente é promessa de Jesus para nós?

De fato, Jesus ensinou princípios “riquíssimos” sobre prosperidade material, vivenciados inclusive em sua própria vida terrena. Porém, biblicamente veremos que em nada confere com as afirmações dos propagadores da teologia da prosperidade.

Antes de continuar, esclareço que eu não defendo de forma alguma a “teologia da miséria”, creio plenamente que Deus nos sustenta e supre as nossas necessidades, bem como prospera alguns conforme a sua soberana vontade. Porém, entendo que o grande problema é deixar de buscar a Deus pelo que Ele é em troca daquilo que Ele pode nos dar. Portanto, o que vou analisar exclusivamente neste artigo é a afirmação de que supostamente Jesus era rico e que Ele promete riquezas para os seguidores. Vejamos:

Em primeiro lugar, Jesus era e sempre será rico eternamente em sua posição gloriosa no céu, porém abdicou-se de sua glória celestial e veio à terra viver como um homem de maneira humilde, a fim de sofrer e morrer por nós: “pois conhecereis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.” (2Co 8:9)[1] Ao contrário do que afirmam os defensores da teologia da prosperidade, nesta passagem está claríssimo que Jesus não era rico, o propósito d’Ele era exatamente o contrário. Cristo tornou-se pobre no mundo não para trazer riquezas materiais a humanidade, mas sim a salvação que é a verdadeira riqueza, por consequência a transformação de vida em amor para com o próximo. No contexto de 2Co 8, Paulo utiliza o exemplo da posição de glória que Cristo desfrutava com o Pai e que foi sacrificada por Ele a fim de nos auxiliar (Fp 2:5-8) para mostrar que, da mesma forma, os crentes de Corinto deveriam sacrificar algo para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém. Paulo incentiva-os a ofertar aos irmãos necessitados como um ato cristão de amor e cuidado.

Desde o início da vida terrena de Jesus, o propósito d’Ele de fazer-se humildemente pobre foi manifestado, a começar pelo seu nascimento: “E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2:7) Em tese, seguindo a lógica da teologia da prosperidade, seria bem mais apropriado que Jesus Cristo tivesse nascido em um palácio, num berço de ouro forrado com tecido fino e vários criados para servi-lo. Porém, Jesus nasceu num estábulo e colocado numa humilde mangedoura para demonstrar desde o início o propósito de ir contra a ganância e as riquezas deste mundo.[2] A Bíblia indica que Maria e José eram pobres, pois quando Maria foi apresentar Jesus no templo, a oferta de sacrifício oferecida (segundo a lei mosaica - Lv 12:8) era oferta de pobre: "e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de rolas ou dois pombinhos." (Lc 2:24) Isto prova, pelo menos na época do nascimento de Jesus, que José não era financeiramente estável por conta de sua profissão de carpinteiro.

Quando Jesus começou seu ministério terreno, Ele largou tudo o que tinha (família, lar, conforto etc.) para dedicar-se integralmente ao propósito do evangelho. Tudo o que era necessário para o suprimento natural de Jesus foi providenciado pelos próprios discípulos, prova disso é o fato de que algumas mulheres serviram Jesus com seus bens (Lc 8:1-3).
Jesus, conhecendo o coração das pessoas, ao responder alguém que queria segui-lo provavelmente para buscar benefício próprio, disse que "As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". (Lc 9:58) Note que Cristo aborda exatamente a questão “moradia”, uma resposta clara que refuta a afirmação de alguns pregadores da prosperidade de que Jesus possuía uma enorme mansão em Jerusalém.

Na primeira multiplicação de pães e peixes, os discípulos poderiam muito bem sair para comprar os alimentos para o povo, porém os mesmos questionaram Jesus justamente pelo fato de não terem condições para tal feito. Foi necessário a operação de um milagre para alimentá-los (Mc 6:34-44).

Certa ocasião, quando Jesus chegou em Cafarnaum (Mt 17:24-27), ele não tinha dinheiro para efetuar o pagamento do imposto da cidade, sendo necessário operar um milagre através de Pedro para efetuar o pagamento. Ao perguntarem para Jesus se era lícito pagar tributo a César, Jesus respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário, para que eu o veja”(Mc 12:14-16). Se Jesus fosse rico, com certeza teria uma moeda no bolso para usar, porém foi necessário alguém trazer uma para que Jesus pudesse vê-la.

A afirmação dos pregadores da prosperidade de que o Jumento que Jesus utilizou para entrar em Jerusalém, era como se fosse um Cadilac ou uma BMW da época, chega a ser ridícula e mostra o despreparo bíblico dos defensores da teologia da prosperidade. Ora, basta uma análise no contexto cultural para perceber que a “BMW” da época na verdade eram as carruagens e os cavalos, e não um jumento! Na Bíblia vemos claramente um exemplo disso: "Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que no seu carro, viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.” (At 8:27:28) Além disso, o Jumento não era de Jesus, mas emprestado!

Ao contrário do que Rodovalho e John Avanzini afirmam, as roupas de Jesus no geral não eram de rico, pois os soldados tomaram as vestes e "rasgaram-nas em quatro partes" (Jo 19:23-24), somente a túnica (peça íntima que ficava debaixo das vestes) que era algo realmente nobre naquela época, pois não tinha costura e era tecida de cima abaixo. Por isso que os guardas lançaram sortes para ver quem ficaria com a mesma. Provavelmente tal peça pode ter sido doada por algum discípulo. Afinal, tudo ou quase tudo o que Jesus possuía durante o seu ministério era doado pelos discípulos que o acompanhavam, entre os quais alguns financeiramente prósperos, que era o caso das mulheres descritas em Lucas 8:1-3. O próprio túmulo de Jesus foi emprestado (Lc 23:50-53)!

Os pregadores da teologia da prosperidade, tentando contra-argumentar, ainda colocam que os apóstolos eram prósperos financeiramente. Porém, a Bíblia claramente refuta esta idéia. Dentre vários exemplos bíblicos, podemos listar alguns: Quando Pedro e João chegaram à porta do templo, onde um coxo de nascença pediu-lhes uma esmola. Se os apóstolos fossem ricos, com certeza eles teriam dado dinheiro ao pedinte, porém eles afirmaram: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!" (Atos 3:1-8), e o homem foi curado. O apóstolo Paulo passou por muitas necessidades financeiras ( Fp 4.10-20, 2Co 11.27), inclusive tendo que trabalhar fabricando tendas para se sustentar (At 18:3). O mesmo também ensinou a respeito da expectativa de buscar riquezas materiais: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Tm 6.8-10)

Como podemos ver, não existe base bíblica para afirmar que Jesus e os apóstolos eram ricos. Na verdade, Cristo nunca defendeu a busca por riquezas materiais, pelo contrário, condenou-a mostrando o verdadeiro padrão a ser almejado: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.19-24). Ele exortou-nos a buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, sendo que o suprimento necessário virá naturalmente de Deus (Mt 6:25-34). Não devemos ter preocupações exageradas pela nossa sobrevivência, nem pelos cuidados materiais gananciosos, pois Jesus afirmou que este conceito é, de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de alguém: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15)

Todavia, é importante salientar que devemos também seguir o exemplo dos cristãos da Macedônia, onde mesmo em meio de muita pobreza, manifestaram abundância de generosidade ao preparar ofertas para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém em dificuldades financeiras. (2Co 8:1-4)

Quanto aos cristãos financeiramente prósperos, a Bíblia diz: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1Tm 6:17-19) João Calvino interpretou este fundamento com clareza: aqueles a quem houvermos de ver premidos pelas dificuldades das coisas, compartilhemos-lhes das necessidades e com nossa abundância supramos-lhes a falta de recursos.” [3] (Veja também 2Co 9:1-15)
Enfim, há muito mais passagens bíblicas que tratam sobre o assunto, mas creio que as citadas neste artigo sejam suficientes para esclarecer a questão.

Soli Deo Gloria!

Notas:
1 - A tradução bíblica utilizada no artigo é a Almeida Revista e Atualizada - SBB.
2 - Observação simbólica feita por A.W. Pink, em "Por que Jesus nasceu numa mangedoura?"
3 - CALVINO, João. As Institutas Vol. 2. Casa Ed. Presbiteriana. São Paulo, 1985. P. 168

Fonte: Bereianos

Os pastores Samuel Câmara e José Wellington vão disputar novamente a presidência da CGADB, Convenção das Assembleias de Deus

Os pastores Samuel Câmara e José Wellington vão disputar novamente a presidência da CGADB, Convenção das Assembleias de Deus
O pastor José Wellington Bezerra da Costa registrou, na última semana o pedido para sua candidatura à presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), para o mandato de 2013 a 2017.

O site da CGADB informa também o registro da candidatura do pastor Samuel Câmara, presidente da Igreja Assembleia de Deus de Belém (PA) ao cargo. Câmara registrou sua candidatura no dia 1º de agosto, e concorrerá novamente à liderança da denominação com o pastor José Wellington.

As eleições para o cargo serão no dia 11 de abril de 2013, e serão realizadas durante a 41ª AGO – Assembleia Geral Ordinária da CGADB.

De acordo com as regras da instituição, os interessados ao cargo precisam registrar su candidatura até o dia 31 de outubro, contatando a Comissão Eleitoral da CGADB, presidida pelo pastor Antonio Carlos Lorenzetti de Melo.


Redação Gospel+

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

FUJA DOS FALSOS EVANGELHOS, AINDA HÁ TEMPO


Assisti, há algum tempo, a uma pregação de Carter Conlon (um pregador de mensagens vibrantes, da mesma linha do saudoso David Wilkerson), pela qual enfatizou: “Corra”. De maneira contundente, ele asseverou que os servos de Deus devem correr, fugir, escapar dos falsos evangelhos propagados pelos enganadores do nosso tempo.

No Novo Testamento há vários mandamentos relativos à fuga do mal. A Palavra de Deus nos ordena a fugirmos — a nos desviarmos, a escaparmos — dos pecados, pois a única coisa que pode nos afastar do amor de Deus, endurecendo o nosso coração, é a permanência no pecado (Hb 3.12-14). Por isso, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, afirmou: “Fugi da prostituição” (1 Co 6.18); “fugi da idolatria” (1 Co 10.14); “saí do meio deles” (2 Co 6.17); “foge destas coisas” (1 Tm 6.11); “Foge também dos desejos da mocidade” (2 Tm 2.22), etc.

Precisamos correr, fugir, escapar dos falsos ensinamentos propagados pelos enganadores que estão “entre nós” (At 20.28-30; 2 Pe 2.1). Os falsos evangelhos são as falsas boas novas; as verdades misturadas com mentiras; os acertos e erros mesclados; é leite contaminado (1 Pe 2.1,2).

Você só não deve fugir do Diabo, e sim resisti-lo. Mas, para fazer isso, deve se sujeitar a Deus (Tg 4.7). Quem se submete ao Senhor, foge dos falsos evangelhos, contrários ao Evangelho de Cristo.

Fuja do evangelho experiencialista, baseado em experiências exóticas, em revelações obtidas depois de pretensas visitas ao Céu e ao Inferno e em técnicas psicológicas, como a regressão até o ventre materno (Dt 13.1-4; Jo 10.41).

Fuja do evangelho antropocêntrico, pelo qual o ser humano é tacitamente endeusado e estimulado a confiar mais na autoajuda do que na Ajuda do Alto (1 Pe 5.6; Fp 4.11-13).

Fuja do evangelho da prosperidade, pelo qual enganadores, webenganadores e telenganadores, abrindo mão do tesouro celestial (Mt 6.19-21), enriquecem e levam cativas pessoas enganadas, webenganadas e telenganadas, as quais deixam de usufruir do grande tesouro da salvação (2 Co 4.7).

Fuja do evangelho ecumênico, que valoriza um falso amor, mal direcionado, centrado em interesses próprios, abrindo mão da Verdade (Jo 14.23).

Fuja do evangelho cessacionista, pelo qual se afirma que a multiforme manifestação do Espírito Santo cessou, desprezando as profecias e extinguindo o Espírito (At 2.39; 1 Ts 5.19-21).

Fuja do evangelho neopentecostal, que banaliza os dons, ministérios e operações do Espírito Santo, levando incautos a pensarem que podem profetizar a qualquer hora, como bem entendem, e manipular a manifestação sobrenatural do Espírito (1 Co 14).

Fuja do evangelho farisaico, legalista, propagado e seguido por muitos líderes que “coam mosquitos”, mas “engolem camelos”, verberando contra efemeridades, sem ver “traves de madeira” enormes em seus próprios olhos (Mt 23).

Fuja do evangelho do entretenimento, que oferece toda a diversidade mundana num contexto “evangélico”, como apresentações de vale-tudo, shows de hip-hop, street dance, etc. (Rm 12.1,2; Tg 4.4).

Se você quer verdadeiramente ser vencedor até o fim, fuja de todos os falsos evangelhos e atente para o que está escrito em 1 Coríntios 15.1,2: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão”.

Por: Ciro Sanches Zibordi
 

POR QUE ESTOU COMPROMETIDO EM ENSINAR A BÍBLIA


Por John MacArthur

Jamais aspirei ser conhecido como um teólogo, um apologista ou um erudito. Minha paixão é ensinar e pregar a Palavra de Deus. Embora tenha abordado questões teológicas e controvérsias doutrinárias, em alguns de meus livros, nunca o fiz sob o ponto de vista da teologia sistemática. Pouco me inquieta o fato de que algum assunto doutrinário se enquadra nesta ou naquela tradição teológica. Desejo saber o que é bíblico. Todas as minhas preocupações estão voltadas às Escrituras, e meu desejo é ser bíblico em todo o meu ensino.

Pregue a Palavra!

Esta é a atitude com a qual abracei o ministério desde o início. Meu pai é um pastor, e, quando lhe disse, há alguns anos, que senti haver Deus me chamado para o ministério, ele me presenteou uma Bíblia em que havia escrito essas palavras de encorajamento: “Pregue a Palavra!” Esta simples frase se tornou um estímulo em meu coração. Isso é tudo que tenho me esforçado para fazer em meu ministério — pregar a Palavra.

Os pastores de nossos dias sofrem tremenda pressão para fazerem tudo, exceto pregar a Palavra. Eles são instruídos pelos eruditos do Movimento de Crescimento de Igreja que têm de alcançar as “necessidades sentidas” dos ouvintes. São encorajados a se tornarem contadores de histórias, comediantes, psicólogos e preletores que motivam. São aconselhados a evitarem assuntos que os ouvintes acham desagradáveis. Muitos já abandonaram a pregação bíblica em favor de mensagens devocionais que têm o objetivo de fazer as pessoas sentirem-se bem. Alguns têm substituído a pregação por dramatização e outras formas de entretenimento.

Mas o pastor cuja paixão é completamente bíblica tem apenas uma opção: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2).

Quando Paulo escreveu essas palavras a Timóteo, ele acrescentou este aviso profético: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fá- bulas” (vv. 3,4).

Com certeza, a filosofia de ministério do apóstolo Paulo não incluía a teoria de “dar às pessoas o que elas desejam”. Ele não instou Timóteo a realizar uma pesquisa a fim de descobrir o que as pessoas queriam; mas ordenou que ele pregasse a Palavra, com fidelidade, repreensão e paciência.

Na verdade, ao invés de insistir que Timóteo idealizasse um ministério que acumularia elogios do mundo, Paulo advertiu o jovem pastor a respeito de sofrimentos e dificuldades! O apóstolo não estava ensinando Timóteo sobre como ser bem-sucedido; estava encorajando-o a seguir o padrão divino. Paulo não o estava aconselhando a buscar prosperidade, poder, popularidade ou qualquer outro conceito mundano de sucesso. O apóstolo instava o jovem pastor a ser bíblico, apesar das consequências.

Pregar a Palavra nem sempre é fácil. A mensagem que somos exigidos a pregar é, com frequência, ofensiva. O próprio Senhor Jesus é uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). A mensagem da cruz é uma pedra de escândalo para alguns (1 Co 1.23; Gl 5.11) e loucura para outros (1 Co 2.3).

Não temos permissão para embelezar a mensagem ou moldá-la de acordo com as preferências das pessoas. O apóstolo Paulo deixou isto claro, ao escrever a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16 — ênfase acrescentada). Esta é a mensagem a ser proclamada: todo o conselho de Deus (At 20.27).

No primeiro capítulo de sua segunda carta a Timóteo, Paulo lhe dissera: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste” (2 Tm 1.13). O apóstolo se referia às palavras reveladas por Deus nas Escrituras — todas elas. Paulo instou Timóteo a guardar o tesouro que lhe havia sido confiado. No capítulo seguinte, o apóstolo aconselhou Timóteo a estudar a Palavra e manejá-la bem (2 Tm 2.15). E, no capítulo 3, Paulo o aconselhava a proclamá-la. Deste modo, todo o ministério de um pastor fiel gira em torno da Palavra de Deus — manter, estudar e proclamar.

Em Colossenses, Paulo, ao descrever sua própria filosofia de ministério, escreveu: “Da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Cl 1.25 — ênfase acrescentada). Em 1 Coríntios, ele foi um passo além, afirmando: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1-2). Em outras palavras, seu objetivo como pregador não era entreter as pessoas com um estilo retórico ou diverti-las com esperteza, humor, novos pontos de vistas ou metodologia sofisticada; o apóstolo simplesmente pregou a Cristo.

A pregação e o ensino fiel da Palavra de Deus têm de ser o âmago de nossa filosofia de ministério. Qualquer outra filosofia de ministério substitui a voz de Deus pela sabedoria humana. Filosofia, política, psicologia, conselhos despretensiosos, opiniões humanas jamais são capazes de fazer o que a Palavra de Deus faz. Essas coisas podem ser interessantes, informativas, entreter as pessoas e, às vezes, serem úteis, mas elas não constituem o objetivo da igreja. A tarefa do pregador não é ser um canal para a sabedoria humana; ele é a voz de Deus para a igreja. Nenhuma mensagem humana tem o selo da autoridade divina — somente a Palavra de Deus. Como ousa qualquer pregador substituí-la por outra mensagem? Sinceramente, não entendo os pregadores que estão dispostos a abdicarem deste solene privilégio. Por que devemos proclamar a sabedoria dos homens, quando temos o privilégio de pregar a Palavra de Deus?

Seja Fiel, Quer Seja Oportuno, Quer Não!

Nossa tarefa nunca se acaba. Não apenas temos de pregar a Palavra de Deus, mas também precisamos fazê-lo apesar das opiniões divergentes que nos rodeiam. Somos ordenados a nos mostrarmos fiéis quando esse tipo de pregação for tolerado e quando não o for.

Encaremos esse fato: pregar a Palavra agora não é oportuno. A filosofia de ministério norteada por marketing, que está em voga no presente, afirma claramente que proclamar as verdades bíblicas está fora de moda. Exposição bíblica e teologia são vistas como antiquadas e irrelevantes. Essa filosofia de ministério declara: “As pessoas que frequentam a igreja não querem mais ouvir a pregação da Palavra. A geração do pós-guerra simplesmente não agüenta ficar sentada no banco, enquanto à sua frente alguém prega. Eles são frutos de uma geração condicionada pela mídia e precisam de uma experiência de igreja que os satisfaça em seus termos”.

O apóstolo Paulo disse que o pregador excelente tem de ser fiel em pregar a Palavra, mesmo quando isso não está na moda. A expressão que ele utilizou “esteja pronto” (no grego, ephistemi) literalmente significa “permanecer ao lado”, retratando a idéia de prontidão. Era frequentemente usada para descrever uma guarda militar, sempre a postos, preparada para o dever. Paulo estava falando sobre uma intensa prontidão para pregar, assim como a de Jeremias, o qual afirmou que a Palavra de Deus era como um fogo em seus ossos. Isto era o que Paulo estava exigindo de Timóteo: não relutância, e sim prontidão; não hesitação, e sim coragem; não mensagens que motivavam os ouvintes, e sim a Palavra de Deus.

Corrige, Repreende e Exorta!

Paulo também deu a Timóteo instruções a respeito do tom de sua pregação. Ele utilizou duas palavras que têm conotação negativa e uma que é positiva: corrige, repreende e exorta. Todo ministério de valor precisa ter um equilíbrio entre coisas positivas e negativas. O pregador que falha em reprovar e corrigir não está cumprindo sua comissão.

Recentemente, ouvi uma entrevista no rádio com um pregador bastante conhecido por sua ênfase em pensamento positivo. Esse pregador tem afirmado em seus escritos que evita qualquer menção do pecado em suas pregações, porque ele acha que as pessoas, de alguma maneira, estão sobrecarregadas com excessiva culpa. O entrevistador perguntou-lhe como ele poderia justificar essa atitude. O pastor respondeu que bem cedo em seu ministério havia decidido focalizar as necessidades das pessoas e não atacar seus pecados.

Entretanto, a mais profunda necessidade das pessoas é confessar e vencer seus pecados. Portanto, a pregação que não confronta e corrige o pecado, através da Palavra de Deus, não satisfaz a necessidade das pessoas. Falas sentirem-se bem e responderem com entusiasmo ao pregador. Mas isso não é o mesmo que satisfazer suas verdadeiras necessidades.

Corrigir, repreender e exortar é o mesmo que pregar a Palavra de Deus, pois estes são os ministérios que as Escrituras realizam – “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Observe o mesmo equilíbrio de tom positivo e negativo. Repreensão e correção são negativos, ensinar e educar são positivos.

O tom positivo é crucial também. A palavra “exorta” é parakaleo, um vocábulo que significa “encoraja”. O pregador excelente confronta o pecado e, em seguida, encoraja os pecadores arrependidos a comportarem-se de maneira cor-reta. Ele tem de fazer isso, com “paciência e longanimidade” (2 Tm 4.2). Em 2 Tessalonicenses 2.11, Paulo falou sobre exortar, encorajar e implorar, “como um pai a seus próprios filhos”. Isto frequentemente exige muita paciência e instrução. Todavia, o pastor excelente não pode negligenciar esses aspectos de sua vocação.

Não se Comprometa em Tempos Difíceis!

Existe urgência no encargo de Paulo ao jovem Timóteo: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças como que sentindo coceira nos ouvidos” (2 Tm 4.3). Esta é uma profecia que lembra aquelas que encontramos em 2 Timóteo 3.1 (“Sabe, porém isto: Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”) e 1 Timóteo 4.1 (“O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé”). Este, portanto, é o terceiro aviso profético de Paulo advertindo Timóteo a respeito dos tempos difíceis que estavam por vir. Observe a progressão: o primeiro aviso dizia que viria o tempo em que as pessoas se apartariam da verdade. O segundo advertia Timóteo sobre o fato de que tempos perigosos estavam vindo à Igreja. E o terceiro sugere que viria o tempo em que haveria na igreja aqueles que não suportariam a sã doutrina e, em vez disso, desejariam ter seus ouvidos coçados.

Isso está acontecendo na Igreja hoje. O evangelicalismo perdeu sua tolerância em relação à pregação confrontadora. As igrejas ignoram o ensino bíblico sobre o papel da mulher na igreja, a homossexualidade e outros assuntos. O instrumento humano tem sobrepujado a mensagem divina. Esta é a evidência do sério descomprometimento doutrinário. Se as igrejas não se arrependerem, esses erros e outros semelhantes se tornarão epidêmicos.

Devemos observar que o apóstolo Paulo não sugeriu que o caminho para alcançar nossa sociedade é abrandar a mensagem, de modo que as pessoas sintam-se confortáveis com ela. O oposto é verdade. Esse coçar os ouvidos das pessoas é uma abominação. Paulo instou Timóteo a estar disposto a sofrer por amor à verdade e continuar pregando a Palavra com fidelidade.

Um intenso desejo por pregação que causa coceira nos ouvidos tem consequências terríveis. O versículo 4 diz que essas pessoas “se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tm 4.4). Elas se tornam vítimas de sua própria recusa em ouvir a verdade. “Se recusarão” está na voz ativa. As pessoas voluntariamente escolherão essa atitude. “Entregando-se às fábulas” está na voz passiva; descreve o que acontece a tais pessoas. Tendo se afastado da verdade, elas se tornam vítimas do engano. Ao se afastarem da verdade, tornam-se presas de Satanás.

A verdade de Deus não coça nossos ouvidos; pelo contrário, ela os golpeia e os queima. Ela reprova, repreende, convence; depois, exorta e encoraja. Os pregadores da Palavra têm de ser cuidadosos em manter esse equilíbrio.

Sempre houve nos púlpitos homens que reuniram grandes multidões porque eram oradores dotados, interessantes contadores de histórias e preletores que entretinham os ouvintes; tinham personalidades dinâmicas; eram perspicazes manipuladores das multidões, políticos populares, elaboradores de mensagens que estimulavam os ouvintes e eruditos. Esse tipo de pregador pode ser popular, mas não é necessariamente poderoso. Ninguém prega com poder, se não pregar a Palavra de Deus. Nenhum pregador fiel minimiza ou negligencia todo o conselho de Deus. Proclamar toda a Palavra – essa é a vocação do pastor.

Fonte: Grace to You
Tradução e publicação: Trovian
Divulgação: Bereianos
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SUPERAPÓSTOLOS

 
Em minha caminhada cristã, me impressiono ao ver como alguns irmãos exageram numa inocência forçada quando se fala a respeito dos problemas presentes na comunidade cristã. Fato é que efetivamente existem problemas – e muitos – neste ambiente. Ao longo do tempo, formou-se um sistema anexo à Noiva de Cristo, um sistema que na verdade é uma falsa igreja, um regime apóstata que trata do Reino como algo absolutamente antagônico a sua própria essência. Não estou falando da igreja institucionalizada, pois ela é fundamental para o Reino. Sou absolutamente contra o movimento dos ‘cristãos desingrejados’, pastores de si mesmos. Mas este assunto fica para outro artigo.

Não sei se defino essa visão das coisas como inocência ou como cegueira. O próprio Senhor Jesus nos adverte a respeito do joio que cresce junto ao trigo, porém, qual deve ser nossa postura como cristãos diante desse cenário monstruoso que está se formando debaixo de nossos narizes?

Falado a pouco a respeito da noiva, que a Bíblia define tipologicamente como a Igreja, façamos uma breve reflexão a respeito dela. Quem teve a oportunidade de preparar uma celebração matrimonial sabe como é, para o noivo, o anseio em ver sua amada noiva adentrando o templo, adornada, preparada, perfumada, embelezada para o encontro com o noivo. Do outro lado, a noiva, que passou longas horas se preparando para o momento máximo, pronta para agradar o noivo, com sua beleza, preparação absoluta de entrega, e que segundo reza o padrão moral e espiritual cristão, devendo estar pura e limpa, para que celebre junto ao noivo e enfim esteja unida a ele.

Diante disso, vamos refletir um pouco nas Escrituras.

Amigo do Noivo

‘Vós mesmos sois testemunhas do que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que lhe serve e o ouve, alegra-se grandemente por causa da voz do noivo. Portanto, essa satisfação já se cumpriu em mim. É necessário que Ele cresça e que eu diminua’. João 3.28-30 (Versão King James – KJ).

João Batista, ao declarar tais palavras, estava se referindo – em primeira instancia – aos seus discípulos, que deveriam passar a seguir ‘aquele que estava batizando do outro lado do Jordão’ (v.26), mas por inferência, aplica-se o texto à noiva de Cristo, a igreja. Convém que ‘os amigos do Noivo’ dessa geração operem da mesma forma, diminuindo, anulando-se, para que Ele cresça e para que a noiva seja apenas do Noivo.

No entanto, temos visto uma geração de sacerdotes pregadores do erro crescendo sobremodo e impondo-se como os donos da noiva, e não como amigos do Noivo.

Paulo, apóstolo, amigo do noivo

O pragmatismo é um veneno muito pernicioso. De um modo geral, o homem acredita que as coisas que ‘funcionam são as que estão certas’, e tal via é extremamente perigosa.

Diferente de alguns cristãos modernos, a igreja ao longo de sua existência sempre lutou contra as heresias vindas não somente de fora, mas também o erro apregoado dentro. Veja as palavras do teólogo reformado Louis Berkhof:
Pela dádiva de sua Palavra à Igreja, Deus a constituiu em guardiã do precioso depósito da verdade. Enquanto forças hostis são colocadas contra ela e o poder do erro transparece em toda parte, a Igreja deve providenciar para que a verdade não pereça na terra, para que o grau no qual ela está incorporada seja mantido puro e sem mutilações, a fim de que o seu propósito não seja derrotado, e para que ela seja transmitida de geração em geração. Ela tem a grande e responsabilizante tarefa de manter e defender a verdade contra todas as forças da incredulidade e do erro. [1]
Paulo trata deste assunto com uma igreja que, nos padrões atuais, seria a mais perfeita de todas: a igreja em Corinto.
A cidade de Corinto, na época com população estimada em 250 mil cidadãos livres e 400 mil escravos tinha localização privilegiada. Possuía dois portos e pleno acesso ao Mar Mediterrâneo, o que fazia dela uma espécie de encruzilhada por onde viajantes de todo o mundo passavam. O comércio era exuberante, a cultura cosmopolita e os cultos aos deuses helênicos eram intensos, uma vez que a cidade abrigava doze grandes templos, sendo que um dos mais infames era dedicado à Afrodite, deusa grega do amor, onde mais de mil mulheres eram escolhidas todos os anos para que seus corpos servissem de oferendas religiosas em cultos regados a sexo cultual. [2]
Numa cidade com tais costumes, estava a comunidade de cristãos da Igreja em Corinto, uma igreja cheia dos dons (1Co 1.7), porém imatura ao ponto de dividir-se em concórdias (1Co 1.10-17).

Para tal comunidade Paulo lança uma severa advertência que ecoa em nossos dias: a lábia da serpente através dos falsos obreiros. Eis o trabalho daqueles que amam a noiva!

Sugiro ao leitor que leia 2Co 11 integralmente antes de prosseguir. Feito isso, continuamos nossa reflexão.
Pois tenho verdadeiro ciúme de vós, e esse zelo vem de Deus, pois vos consagrei em casamento a um único esposo, que é Cristo, a fim de vos apresentar a Ele como virgem pura. (2Co 11.2, KJ)
1. Zelo pela Noiva: Neste versículo, Paulo fala sobre zelo e ciúme por aquele povo cristão, o qual ansiava em apresentar diante de Deus como noiva virgem e pura. Uma noiva sem a mancha do erro, do engano, do pecado pré-nupcial, ou seja, uma noiva que não fosse usurpada pelo maligno e por seus falsos obreiros.

Como li num artigo recentemente, a noiva tem sido estuprada, violentada, usada, envergonhada por homens que aparentam serem amigos do noivo, mas que na verdade servem a Mamon, a seu próprio ventre – ministros de Satanás. Homens que lideram impérios religiosos voltados a si mesmos. Onde estão os amigos da noiva para ecoar o alarde que tal caminho voltado para o homem, e não para Deus, é uma via de engano? Dói para poucos ver esta situação e infelizmente é cômodo para muitos calar-se consentido com a tragédia.
Entretanto, receio que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, também a vossa mente seja de alguma forma seduzida e se afaste da sincera e pura devoção a Cristo. (2Co 11.3, KJ)
2. O engano da serpente: Seguindo em 2Co 11.3, Paulo fala sobre o engano da serpente, a sedução que Eva sofreu e que, pela astúcia do diabo, poderia seduzir aqueles cristãos, de tal modo que suas mentes seriam ludibriadas a ponto de afastá-los da pura e sincera devoção a Cristo. Os falsos mestres que se infiltraram no meio do povo estavam pregando ensinos pervertidos, que se desencontravam da Verdade. O anseio do apóstolo era que o povo tivesse o coração e mente íntegros ao Senhor e que nada nem ninguém tivesses parte na glória única de Deus. E de que forma o engano estava sendo sorrateiramente colocado naquele contexto?
Porquanto, se alguém vos tem pregado um Jesus que não é aquele que ensinamos, ou se recebeis um outro espírito, que não o Espírito que creio, terdes recebido, ou ainda um evangelho diferente do que tendes abraçado, a tudo isso muito facilmente, tolerais. (2Co 11.4, KJ).
3. Falso evangelho, falso Jesus: Em 2Co 11.4, o apóstolo Paulo adverte a igreja que infelizmente estava sendo tolerado um falso ensino, falso evangelho, falso Espírito, falso Cristo. Não existe nada pior que a mentira disfarçada de verdade. Repito: a mentira disfarçada de verdade é um veneno dado em doses homeopáticas ao povo, que nem percebe que aos poucos estão caindo em destruição. Um pedófilo jamais mostrará sua intenção e face à inocente criança, assim como o estuprador agirá de modo frio e calculista em busca de sua vítima. O erro caminhará com cara de verdade, mas não tardará mostrar-se profundamente tenebroso e diabólico. Os falsos mestres dão o atestado de sua falsidade, em curto, médio ou longo prazo.
Contudo, não me julgo em nada inferior a esses “eminentes apóstolos”. (2Co 11.5, KJ).
Em nada me considero inferior a esses “superapóstolos”.
(2Co 11.5, Almeida Século 21 – A21).
4. Eminentes apóstolos; Superapóstolos: Aqui em 2Co 11.5 um dos verdadeiros apóstolos de Cristo, Paulo de Tarso, alerta sobre os falsos mestres que estavam conduzindo a igreja de Corinto ao erro. Eram esses homens que estavam contaminando a Noiva, abusando da Noiva! Eram esses homens que se julgavam em posição de eminência que estavam correndo as bases doutrinárias. Neste sentido vamos nos aprofundar um pouco.

Superapóstolos

É necessário um aprofundamento de contexto para entender melhor o que estava acontecendo ali. Em 2Co 11.6-9 Paulo fala que não cobrava a respeito do ensino ministrado ali naquele lugar, uma vez que recebeu apoio das igrejas da Macedônia e Filipos e trabalhava com artesanato, costurando tendas (At 18.1.4). E por que ele não queria pesar financeiramente para a igreja de Corinto? Não seria ele como obreiro digno de seu salário?

Paulo estava fazendo forte oposição aos ‘superapóstolos’, uma vez que no século 1 era comum nas províncias gregas (e Corinto ficava na Acaia, ao sul) o pagamento aos mestres de religião e filosofia que atuavam de modo itinerante. Estes lobos estavam sangrando a igreja e ensinando heresias, e como cobravam pelo ensino, ainda difamavam o apóstolo Paulo, alardeando que seu ensino era fraco, pois era gratuito. Como são astutos os filhos do diabo! Inversão da graça.

O anseio dos lobos era que Paulo mudasse seu proceder, cobrando pelo ensino para que se igualasse a eles em atitude. Fica o alerta para você, amado em Cristo: não siga as tendências de ‘sucesso pragmático’ dessa era. Seja fiel e firme na sã doutrina. Veja o comentário abaixo:
Historicamente, líderes religiosos, hereges, despóticos e carismáticos têm sido mais ovacionados pelo mundo do que os santos servos do Senhor. Por isso, os crentes e as igrejas precisam ter cuidado para não se deixarem influenciar pelos “superapóstolos” ou “eminências”, conforme a ironia usada por Paulo, e, assim, em se afastar da verdade (Gl 1.6-9). [3]
Estes falsos apóstolos estavam atuando deste modo itinerante, bem como tentando difamar Paulo (que ficou em Corinto um ano e seis meses – At 18.11) com o propósito de levar uma falsa doutrina, sedentos por dinheiro. Situação idêntica ao que vemos nos nossos dias. Como disse William MacDonald, “como a maioria dos líderes de seitas, não trabalhariam em um lugar que não lhes desse lucro” [4].

Por fim, Paulo lança a todos os olhos aquilo que aqueles homens – e seus similares de nossos dias são:

Porquanto, tais homens são falsos apóstolos, obreiros desonestos, fingindo-se apóstolos de Cristo. E essa atitude não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa alguma que seus serviçais finjam que são servos da justiça. O fim dessas pessoas será de acordo com o que as suas ações merecem. (2Co 11.13-15, KJ)

As Escrituras deixam claro que o trunfo desses hereges – um verdadeiro canto de sereia – está em seu grande poder de dissimulação, de manipulação. Estes homens tem o “poder” de levar aos ouvidos incautos uma idéia e esperança decisivamente boa, quando de fato não é. E como mostra o versículo 15, que o próprio Diabo se disfarça para enganar, como podem muitos fechar os olhos para realidade que os falsos mestres estão espalhados pelos quatro cantos, na mídia, na internet, no rádio e na TV, e ainda, nos púlpitos, utilizando de linguagem religiosa e aparência de piedade, quando no fundo não passam de mensageiros do Maligno.

Por fim, fica a preocupação de que, todos aqueles que de alguma forma, com coração sincero, querem um relacionamento com Cristo, não caiam na cilada:

Entretanto, receio que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, também a vossa mente seja de alguma forma seduzida e se afaste da sincera e pura devoção a Cristo. (2Co 11.3, KJ)

Louvo a Deus pois em breve o sistema apóstata ruirá, e prevalecerá por todo sempre a igreja gloriosa, a verdadeira Noiva:
Esta é a Igreja que será verdadeiramente gloriosa no final. Quando toda glória terrena tiver passado, então esta igreja será apresentada sem mancha diante do trono do Deus Pai. Tronos, principados e poderes sobre a terra não serão nada; mas a igreja do primogênito brilhará como as estrelas no final e será apresentada com alegria diante do trono do Pai no dia da aparição de Cristo. [5]
Sola gratia!
Soli Deo gloria!
Notas
[1] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Ed. Cultura Cristã, 2009. p. 548-549
[2] Novo Testamento King James, nota introdutória 1Coríntios. São Paulo: Abba Press, 2007. p. 377
[3] Novo Testamento King James, comentário 2Co 11.5, p. 427
[4] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 572
[5] RYLE, John C. “A Igreja Verdadeira”, in TORREY, R.A. Os Fundamentos. São Paulo, Hagnos, 2005. p. 556

Fonte: NAPEC
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

PASTORES E LOBOS NO REINO DE DEUS


É fácil utilizar as Escrituras e soltar versículos bíblicos às multidões sedentas do Evangelho. O problema é que o povo não consulta a Palavra de Deus para examinar se o conteúdo está de acordo com a Sua vontade. A interpretação pastoral livre e abusiva, de homens com sede ao pote pela movimentação evangélica e arrecadação financeira é cada vez mais acentuada.
 
Poucos são aqueles que, levando os mandamentos de Deus à sério, carregam sua Bíblia, na hora da pregação como faziam os cristãos de Beréia (Atos 17.11). A mensagem geralmente é de pouca soma e não é voltada para o apelo da sã doutrina de Cristo: a salvação da alma, o arrependimento dos pecados e a santidade daqueles que querem obter um relacionamento sadio, íntimo e promissor com o Criador. O salmista Davi escreveu estes pensamentos: “A intimidade do Senhor é para os que O temem, aos quais Ele dará a conhecer a Sua aliança” (Salmo 25.14). Portanto, a aliança de Deus está na Sua própria Palavra, a qual devemos levar conosco ao entrarmos nos átrios do Senhor, examinando as Escrituras, porque nelas contém a vida eterna (João 5.39). Assim, as mensagens devem conter transformação, renovação de fé e esperança, arrependimento de pecados, santificação no Espírito e fidelidade ao Senhor, louvando, servindo e testemunhando a nossa salvação em Cristo. Isto é a real aliança que Deus deseja de todo cristão. Acredito em adoração e sacrifício vivo para com Deus (Romanos 12.1-2), porém esta aliança deve estar acompanhada de santificação, entrega e submissão ao Senhor. Longe de nós sermos vítimas de mensagens baratas, sem sacrifício e sem comprometimento com a obra de Cristo.
 
Acerca disso os lobos tiram proveito do rebanho, impondo-lhes oportunidades, promessas duradouras, conceitos, jugos, ofícios, tradições e filosofias humanas rudimentares, nas quais o povo segue ao arrastão dos ardis devoradores de almas, adotando subterfúgios bíblicos de enganarem as ovelhas de Israel aos seus ideais pregados no palco e com shows. A infidelidade aos padrões da santa doutrina dos apóstolos tornam muitos homens também infiéis. A grande maioria segue as tradições impostas pela liderança que preside suas próprias normas para exploração da fé pública. Daí o abuso doutrinário (1 Timóteo 4.1).

Vamos analisar alguns desses acontecimentos no Velho Testamento. O profeta Ezequiel profetizou sobre eles.

 
O primeiro sinal é que os pastores infiéis podem ser notados quando apascentam a si mesmos, em vez das ovelhas: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza” (Ezequiel 34.2-4).

Observando pelo lado do Novo Testamento, seguimos os conselhos do Senhor Jesus quando disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10.11). Pastores fiéis dão de si mesmos às aflições, aos apelos e aos interesses das ovelhas sedentas em prosseguirem no caminho de Cristo; lobos, agem ao contrário: ignoram, menosprezam e passam por cima dos sentimentos e das realizações das ovelhas. Vejamos outro exemplo do apóstolo João: “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a Sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”(1 João 3.16).
 
A diferença fatal é o amor. Enquanto os pastores buscam as ovelhas por amor, os lobos determinam sua própria justiça: tirar o máximo da vida de suas ovelhas. Resumindo: Se são pastores fiéis, que permaneçam na doutrina de Deus; se são lobos e pastores infiéis, repelem e fazem omissão aos dons espirituais e à edificação da igreja

(1 Coríntios 14.12). Enfim, o apóstolo João já nos escreveu: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem assim o Pai, como o Filho”(2 João 9).

Baseado nestas verdades, assim podemos distinguir, na realidade, as obras dos pastores fiéis no confronto espiritual com os lobos vorazes e infiéis. Apresento-lhes 20 percepções físicas e espirituais que descrevem em parte tais diferenças entre os fiéis e infiéis no reino de Deus:
 
01. Pastores cheiram à ovelhas; lobos, farejam as ovelhas.
02. Pastores conferem as Escrituras; lobos acrescentam escrituras.
03. Pastores ficam no meio das ovelhas; lobos permanecem por atrás das ovelhas.
04. Pastores dão honras às ovelhas do seu pastoreio; lobos bajulam aquelas que já têm honra.
05. Pastores gostam de multiplicar igrejas; lobos adoram dobrar as igrejas.
06. Pastores convocam ovelhas para decisões; lobos se convocam para dominarem as decisões das ovelhas.
07. Pastores são os guias das ovelhas; lobos deixam as ovelhas se guiarem.
08. Pastores dão cartas de recomendações às outras ovelhas; lobos excluem os apelos das ovelhas.
09. Pastores trabalham em prol das ovelhas; lobos põem as ovelhas para trabalharem por eles.
10. Pastores choram com as ovelhas; lobos ficam rindo das ovelhas.
11. Pastores têm medo de pregar verdades doutrinárias; lobos se encorajam para omiti-las.
12. Pastores limpam as sujeiras das ovelhas; lobos transferem a sujeira para as ovelhas.
13. Pastores se arrependem dos seus pecados; lobos pedem desculpas por qualquer coisa.
14. Pastores se inspiram na Bíblia para fazerem a obra: lobos se inspiram nos rivais para engordarem a obra.
15. Pastores chamam suas ovelhas de amadas; lobos chamam as ovelhas para amá-los.
16. Pastores não desistem das metas enquanto não forem cumpridas; lobos desistem delas se eles também desistirem.
17. Pastores se transformam pela voz de Deus; lobos se fazem surdos porque não querem mudar.
18. Pastores almoçam junto com todas as ovelhas; lobos almoçam unidos com uma só ovelha.
19. Pastores chegam de mansinho; lobos saem de mansão.
20. Pastores imitam a Jesus Cristo; lobos imitam a Satanás.

Pois assim está escrito: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor” (2 Coríntios 10.17). Alerta aos santos do Senhor: “E não é de admirar; porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; o fim deles será, conforme as suas obras”" (2 Coríntos 11.14-15). Se alguém ainda não conheceu como deve ser a conduta do bom pastor, que volte-se para Cristo e aceite o conselho do apóstolo João: “Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” (3 João 3). Glória a Deus, pois aquele que é o Pastor dos pastores, Jesus, nos disse: “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus” (João 8.47a).

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pastor Ricardo Gondim anuncia fim de recesso e novo livro: “Renasço de um tempo difícil, sem alucinação, extravagância, ostentação ou pieguice”

Pastor Ricardo Gondim anuncia fim de recesso e novo livro: “Renasço de um tempo difícil, sem alucinação, extravagância, ostentação ou pieguice”
O pastor Ricardo Gondim dedicou uma edição do programa Direto ao Ponto, da TV Betesda, para comentar sobre sua recente ausência das redes sociais e até mesmo de seu blog, onde também estava sem escrever. Ele fala também de seu retorno ao trabalho pastoral.

Além do vídeo, o pastor escreveu também um texto, intitulado “Pequenas ressurreições”, no qual falou de sua ausência e recente retorno.

No programa, o pastor explica que parou por dois motivos, um deles físico, visto que passou por uma cirurgia e que foi detectado que ele apresentou também alguns problemas cardíacos, apesar de não apresentar o perfil para esse tipo de problemas de saúde.

- De repente, acordei: a vida desobedece engrenagens. Deitado no leito de um hospital, vi que nem toda a causa implica em um efeito previsível. A saúde baqueia mesmo os que se exercitam. Decepções chegam igualmente para justos e injustos. Desgostos batem em portas indistintas. O sofrimento nivela a todos – comentou Gondim no texto em seu blog.

Questionado se havia algum tipo de mágoa que o afastou de sua atuação, Gondim afirmou que não, e que esse tipo de sentimento não seria o bastante para o afastar.

- As minhas mágoas e minhas dores nunca foram o suficiente para me tornar nem cínico nem azedo – afirmou.

Gondim comentou também de sua decepção com o meio evangélico, principalmente por causa de seu idealismo, que não o permitia enxergar o meio evangélico da forma que deveria ser. Segundo ele, esse meio deve ser encarado da mesma forma que os meios não religiosos.

- O movimento evangélico não é a única e nem é a melhor expressão do cristianismo – declarou, afirmando que a história do cristianismo mostra que muitos movimentos feitos em nome de Cristo perderam o fôlego por tentarem responder a perguntas que ninguém mais faz, e por não responder as novas perguntas que são feitas.

Gondim explica ainda que foi criticado por muitos por propor que se repense os pressupostos da religião. Ele revela também que durante seu tempo de afastamento escreveu um livro sobre essas ideias, e sobre uma proposta de repensar tais pressupostos religiosos que são tidos como verdade atualmente.

Intitulado “Para começo de conversa“, o livro é apresentado como uma proposta para se repensar a forma de se enxergar o cristianismo, e será lançado na segunda semana de setembro.

- Renasço de um tempo difícil, sem alucinação, extravagância, ostentação ou pieguice. Desafio a minha alma a contentar-se com a simplicidade, a gozar o instante sem culpa e a tecer emoções sem neurose – afirma o pastor.


Redação Gospel+

BOLIVIA RETIRA MCDONALDS E COCA COLA DO PAÍS POR SUPERSTIÇÃO

Noticias Gospel – O governo da Bolívia anunciou no último fim de semana que a filial da Coca-Cola no país será retirada em 21 de dezembro. No mesmo dia, o McDonald’s deixará de operar após 14 anos de tentativas fracassadas de entrar na cultura boliviana.

Noticias Gospel - Bolívia retira McDonalds e Coca-Cola do país por superstiçãoO chanceler David Choquehuanca afirmou que a decisão “estará em sintonia com o fim do calendário maia e será parte da festa para celebrar o fim do capitalismo e o começo da cultura da vida”.

“O 21 de dezembro é o fim do egoísmo, da divisão. Esse dia tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche (suco de pêssego). Os planetas se alinham depois de 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o começo da vida comunitária”, disse, em ato com o presidente Evo Morales.

A decisão é argumentada pelo governo pelos males provocados pelo refrigerante à saúde dos consumidores, incluindo associação a infartos, derrames e câncer caso haja consumo diário.

No dia 13, Morales já havia prometido o fim da bebida ao anunciar uma festa em uma ilha no lago Titicaca, na fronteira entre a Bolívia e o Peru, no dia 21 de dezembro, que celebra o fim do calendário maia.

Cultura
Ao contrário da Coca-Cola, o McDonald’s decidiu sair por não conseguir se incorporar aos hábitos alimentares bolivianos, após 14 anos de tentativas. A empresa fechará seus oito restaurantes após ter prejuízos em suas operações em mais de uma década, caso único entre as filiais da rede de lanchonetes.

O país andino ainda conserva a culinária tradicional e dá valor ao rito de preparo da comida, que inclui a compra dos alimentos, a decisão de comer, a convivência durante o preparo, a forma em que se apresentam e a maneira que são servidos.
O prato é avaliado por aspectos como gosto, preparo, higiene e sabor adquirido com tempo de preparação, este último fundamental para o fracasso do McDonald’s.


Com informações da Folha, Divulgação Noticias Gospel Guia do Planeta

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

UMA DAS MAIORES ABERRAÇÕES QUE JÁ OUVI UM PASTOR PREGAR


Vi no isso no facebook no "mar-dito" e não acreditei.

Confesso que ouvi uma das mais aberrativas pregações de toda a minha vida. Na mensagem o pregador afirmou que Jesus possuía uma casa de praia.

O cara fundamentou sua pregação num relato apócrifo de que Jesus assumiu aos 12 anos a carpintaria de seu pai e enriqueceu fazendo mesas e cadeiras.

No entanto o que mais me assustou no vídeo não foi as bobagens do herético pastor, mas sim a empolgação do povo com o ensino do falso profeta.

Sinceramente a ignorância bíblica dos presentes a esse culto me fez ruborizar de vergonha. Onde já se viu tamanha besteira? Pois é, para defender essa funesta teologia os "pastores de Genésio"estão dispostos a fazer qualquer coisa.

Caro leitor, diante do exposto, repito: Eu odeio a Teologia da Prosperidade. Repudio veementemente seus conceitos e doutrinas. Na pregação, só faltou o cara defender a tese de que Jesus possuía uma casa com 20 quartos, piscina, sala de jogos, sauna e campo de futebol.

Diante dessa loucura manipulativa resta-nos clamar a Deus por misericórdia, pedindo ao Senhor que abra os olhos do seu povo livrando-os do engodo proferido por lobos inescrupulosos.

Renato Vargens


 
 
 
 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DESABAFO DE UM PROFESSOR DE TEOLOGIA

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Sou um professor de Teologia em crise. Não com minha fé ou com minhas convicções, mas com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários Evangélicos presbiterianos, batistas, da Assembléia de Deus e interdenominacionais desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos.
 
No início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.
 
Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: "não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedira meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério". Trata-se do mais típico caso de "certeza da vocação" adquirida na ignorância.
 
E, invariavelmente, esses são os alunos que mais transpiram preguiça intelectual.
 
A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam "levitas". Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem "apóstolos".
 
Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum instrumento na igreja, se auto-denomina "levita". Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de "força policial" para manter a ordem nas celebrações. Porém, hoje em dia, para os "novos levitas" basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos.
 
Outros há, que se auto-intitulam "apóstolos". Dentro de alguns dias teremos também "anjos", "arcanjos", "querubins" e "serafins". No dia em que inventarem o ministério de "semi-deus" já não precisaremos mais sequer da Bíblia.
 
Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de "progressista". Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, "saudosista" ou "nostálgico" seriam expressões melhores.
 
Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamento lógico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto.
 
Atualmente os chamados "momentos de louvor" mais se assemelham a shows ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso.

Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do "louvor" do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Dias atrás, na semana da Páscoa comentei com um grupo de alunos a respeito da liturgia das "sete palavras da cruz" que seria celebrada em minha Igreja na 6a feira. Alguns manifestaram desejo de participar. Eu os avisei então que se tratava de uma liturgia que dura, em média, uma hora e meia, durante a qual não é cantado nenhum hino (pelo menos na tradição de minha Igreja - Anglicana), mas onde lemos as Escrituras, oramos e meditamos nas sete palavras pronunciadas por Cristo durante a crucificação. Ao saberem disso, um deles disse: "se não houver música, não há culto".
 
Creio que, em parte, isso é reflexo da cultura pop, da influência da "Geração MTV", incapaz de perceber que Deus pode ser encontrado também na contemplação, meditação e no silêncio. Percebo também que alguns colegas pastores de outras igrejas freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os "artistas" e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a "identidade" das igrejas evangélicas. Houve tempo em que um presbiteriano ou um batista sabiam dar razão de suas crenças.
 
Atualmente, tudo parece estar se diluindo numa massa disforme. Trata-se da "xuxização" ("todo mundo batendo palma agora... todo mundo tá feliz ? tá feliz!") do mundo evangélico, liderada pelos "levitas" que aprisionam ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão cativos da cultura gospel.
 
Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: O relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada "secular". Amedrontados com as muitas opções que o "mundo" oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento.
 
Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as "folias de rei", os cinemas, bares, danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa sub-cultura "gospel" torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de "Talibã evangélico". Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o "Cristo Redentor" estará com os dias contados.
 
Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos.
 
Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério.

A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores?

Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros".

De fato, percebi que alguns realmente se mostravam decepcionados ao saberem que teriam que começar seu ministério em um lugar pequeno, numa comunidade pobre, fazendo cultos nos lares, cantando às vezes "à capella" e sem o apoio dos amplificadores e mesas-de-som.
 
Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino.
 
Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar.
 
Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que "falando para as paredes". Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que "voltar aos rudimentos da fé" e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se isso acontece em todos os Seminários, mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.
 
Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu, nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil era realmente referencial de uma religiosidade saudável, equilibrada e madura e em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.


Dr. Carlos Eduardo Calvani
Professor de teologia e coordenador do Centro de Estudos Anglicanos, em Londrina (PR)